quarta-feira, 22 de junho de 2011

Criança interior


Se não nascermos de novo, se não tornar-mos a olhar a vida com a inocência e o entusiasmo da nossa infância, não existirá mais sentido em viver.
Prestemos mais atenção ao que nos diz a criança que temos guardada no peito. 

Não nos envergonhemos por causa dela. Não vamos deixar que ela tenha medo, porque está só e quase nunca é ouvida.
Vamos permitir que ela tome um pouco as rédeas da nossa existência. Esta criança sabe que um dia é diferente do outro.
Vamos fazer com que se sinta de novo amada. Vamos agradá-la - mesmo que signifique agir de maneira a que não estamos acostumados, mesmo que pareça tolice aos olhos dos outros.
Lembrem-se de que a Sabedoria dos homens é loucura diante de Deus.

Se escutarmos a criança que temos na alma, nossos olhos tornarão a brilhar. Se não perdermos o contato com esta criança, não perderemos o contato com a vida!
( Na margem do Rio Piedra, eu sentei e chorei - Paulo Coelho)

domingo, 19 de junho de 2011

Tempo perdido

Renato Russo é sempre atual. Abaixo a letra da música "Tempo Perdido" e ao final um clipe com essa música que é trilha sonora do filme: "O Homem do Futuro", que estréia em setembro. A música fica por conta de Wagner Moura, Alinne Moraes e Banda! Curtam!

Todos os dias quando acordo,
Não tenho mais o tempo que passou..
Mas tenho muito tempo:
Temos todo o tempo do mundo.

Todos os dias antes de dormir,
Lembro e esqueço como foi o dia.
"Sempre em frente,
Não temos tempo a perder".

Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério
E selvagem

Veja o sol dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega é da cor dos teus
Olhos castanhos

Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo.

Não tenho medo do escuro,
Mas deixe as luzes acesas agora,
O que foi escondido é o que se escondeu,
E o que foi prometido, ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido...

Somos tão jovens!
Tão jovens...
Tão jovens...




sábado, 18 de junho de 2011

Adoce as palavras!


A história abaixo foi narrada pelo jesuíta Anthony de Mello em seu livro “O Enigma do Iluminado”:

A história dos dois videntes

Pressentindo que seu país em breve iria mergulhar numa guerra civil, o sultão chamou um dos seus melhores videntes, e perguntou-lhe quanto tempo ainda lhe restava viver.

- “Meu adorado mestre, o senhor viverá o bastante para ver todos os seus filhos mortos”.

Num acesso de fúria, o sultão mandou imediatamente enforcar aquele que proferira palavras tão aterradoras. Então, a guerra civil era realmente uma ameaça! Desesperado, chamou um segundo vidente.

- “Quanto tempo viverei”? – perguntou, procurando saber se ainda seria capaz de controlar uma situação potencialmente explosiva.

- “Senhor, Deus lhe concedeu uma vida tão longa, que ultrapassará a geração dos seus filhos, e chegará a geração dos seus netos”.

Agradecido, o sultão mandou recompensá-lo com ouro e prata. Ao sair do palácio, um conselheiro comentou com o vidente:

- Você disse a mesma coisa que o adivinho anterior. Entretanto, o primeiro foi executado, e você recebeu recompensas. Por quê?

- Porque o segredo não está no que você diz, mas na maneira como diz. Sempre que precisar disparar a flecha da verdade, não esqueça de antes molhar sua ponta num vaso de mel.




O Sol nunca passa!


"Nós vivemos em um Universo que é ao mesmo tempo: gigantesco o suficiente para nos envolver e pequeno o bastante para caber em nosso coração. 
Na alma do homem está a alma do mundo, o silêncio da sabedoria.
Tudo em nós funciona perfeitamente bem e em harmonia com a natureza. 

O que há de bonito no dia de hoje?
Procure reparar, porque esta é a melhor imagem de você mesmo. 

Deus está em nosso cotidiano e espera que notemos Sua presença. 
Toda manhã Ele nos mostra o Seu sorriso.
As nuvens que estão ocupando - neste momento - o céu de sua alma, VÃO passar! 

Mas o sol, que às vezes se esconde por detrás dessas nuvens, NUNCA passará!"
(Paulo Coelho)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Costumes arraigados

No deserto, as frutas eram raras. Deus chamou um dos seus profetas, e disse:
- Cada pessoa só pode comer uma fruta por dia.
O costume foi obedecido por gerações, e a ecologia do local foi preservada. Como as frutas restantes davam sementes, outras árvores surgiram. Em breve, toda aquela região transformou-se num solo fértil, invejado pelas outras cidades.
O povo, porém, continuava comendo uma fruta por dia – fiel à recomendação que um antigo profeta tinha passado aos seus ancestrais. Além do mais, não deixava que os habitantes das outras aldeias se aproveitassem da farta colheita que acontecia todos os anos.
O resultado era um só: as frutas apodreciam no chão.
Deus chamou um novo profeta e disse:
- Deixe que comam as frutas que queiram. E peça que dividam a fartura com seus vizinhos.
O profeta chegou na cidade com a nova mensagem.
Mas terminou sendo apedrejado – já que o costume estava arraigado no coração e na mente de cada um dos habitantes.
Com o tempo, os jovens da aldeia começaram a questionar aquele costume bárbaro. Mas, como a tradição dos mais velhos era intocável, eles resolveram afastar-se da religião. Assim, podiam comer quantas frutas queriam, e dar o restante para os que necessitavam de alimento.
Na igreja local, só ficaram os que se achavam santos. Mas que, na verdade, eram pessoas incapazes de enxergar que o mundo se transforma, e que devemos nos transformar com ele.

Lua cheia



 E quando o dia acaba 
O sol se apaga
A alegria se acalma
Mas a esperança se corrobora
Pois a luz não vai embora
A lua cheia passa a iluminar o céu
Linda, robusta e incandescente
Como um farol a nos guiar.


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Sonho de uma flauta


Nem toda palavra é
Aquilo que o dicionário diz
Nem todo pedaço de pedra
Se parece com tijolo ou com pedra de giz
Avião parece passarinho
Que não sabe bater asa
Passarinho voando longe
Parece borboleta que fugiu de casa
Borboleta parece flor
Que o vento tirou pra dançar
Flor parece a gente
Pois somos semente do que ainda virá
A gente parece formiga
Lá de cima do avião
O céu parece um chão de areia
Parece descanso pra minha oração
A nuvem parece fumaça
Tem gente que acha que ela é algodão
Algodão as vezes é doce
Mas as vezes não é doce não
Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
O dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito
Eu não pareço meu pai
Nem pareço com meu irmão
Sei que toda mãe é santa
Sei que incerteza traz inspiração
Tem beijo que parece mordida
Tem mordida que parece carinho
Tem carinho que parece briga
Tem briga que aparece pra trazer sorriso
Tem riso que parece choro
Tem choro que é por alegria
Tem dia que parece noite
E a tristeza parece poesia
Tem motivo pra viver de novo
Tem o novo que quer ter motivo
Tem aquele que parece feio
Mas o coração nos diz que é o mais bonito
Descobrir o verdadeiro sentido das coisas
É querer saber demais
Querer saber demais
Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
O dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito...



(Fernando Anitelli)

terça-feira, 14 de junho de 2011

Noite escura da alma


Há quase um ano atrás, passei por um longa e sofrida "Noite escura da alma".
É um momento da vida que não gosto muito de recordar, mas vou registrá-lo aqui para poder me libertar dessa lembrança.
Para entender melhor essa expressão, vale lembrar que na mitologia grega, Noite é o nome de uma deusa, filha do Caos (isso já explica muita coisa). Essa Deusa personifica as trevas e é representada como um manto escuro a percorrer o céu.
Na esfera psíquica, a Noite significa a face oculta da consciência - o inconsciente.
Jamie Sams - que trata em seus livros sobre o xamanismo - diz que os nativos norte-americanos consideram a Noite escura da alma como um rito de passagem que fortalece a natureza guerreira do nosso espírito e nos leva de volta à nossa essência espiritual.
Quando esse processo acontece, nos sentimos sem saída, sem rumo e sem fé. Todas as crenças se desfazem e parece que estamos sós, incompreendidos por todos, com muitas incertezas e medos rondando o nosso dia-a-dia.
É uma passagem que nossa alma faz pela escuridão, pelo caos. Dias e noites de puro desespero e ausência de sentido para a vida. Tudo, tudo mesmo perde o sentido.
Parece que estamos à beira da insanidade.
Nesse período negro, passamos por uma reavaliação de tudo em nossas vidas. Das crenças, hábitos e costumes. Um sentimento de abandono nos acompanha. Até mesmo a fé em Deus se esvai.
Na Noite escura da alma, o ego é o principal obstáculo e a duração desse processo está diretamente relacionada com a truculência do ego - sobre o quanto ele luta para sobreviver e manter o complexo inadequado sobre quem você é. Cria-se um conflito interno muito forte.
Acontece que o ego torna-se impotente e inadequado nesse processo. Não sobrevive a realidade porque a pessoa passa a se ver de maneira diferente do que achava que era. O falso sentido do self é colocado para fora e você passa a vivenciar a sua própria essência, sua natureza verdadeira.
Nesse momento é que acontece o caminho da auto-transformação, que se equipara à da crisálida (casulo - lagarta - borboleta).

Passar por essa Noite implica em aceitar que não temos domínio sobre tudo e nem tudo que acontece em nossas vidas é passível de entendimento. É crer que existe realmente um "Grande mistério".
A Noite escura da alma libera nossa consciência limitada. Nos coloca no mundo das possibilidades infinitas. Da vida infinita.
A escolha de seguir no caminho da fé para atravessar a Noite escura da alma é a maneira mais positiva para alcançar o objetivo desse processo. Com paciência, persistência e gratidão, conseguimos sair ilesos e muito mais fortalecidos desse grande aprendizado.
Como dizia Nietzsche: "O que não provoca minha morte, faz com que eu fique mais forte!"

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Antes do verbo era o silêncio...


"A verdade mora no silêncio que existe em volta das palavras.
Prestar atenção ao que não foi dito, ler as entrelinhas.
A atenção flutua: toca as palavras sem ser por elas enfeitiçada.
Cuidado com a sedução da clareza!
Cuidado com o engano do óbvio!
De todos os sentidos, o mais importante para a aprendizagem do amor,
do viver junto e da cidadania é a audição.
Disse o escritor sagrado: ‘No princípio era o verbo’.
Eu acrescento: ‘Antes do verbo era o silêncio.’
É do silêncio que nasce o ouvir.
Só posso ouvir a palavra, se meus ruídos interiores forem silenciados.
Só posso ouvir a verdade do outro se eu parar de tagarelar.
Quem fala muito não ouve.
Sabem disso os poetas, esses seres de fala mínima.
Eles falam, sim.
Para ouvir as vozes do silêncio."
(Rubem Alves)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Xamanismo e os Animais de Poder!



O pensamento xamânico diz que existe uma mente grupal, e um animal arquetípico ou mestre para cada espécie. Os espíritos animais estão seguros numa espécie de consciência coletiva e sabedoria de suas espécies. Em conseqüência, espíritos animais são excelentes professores, guias, auxiliares da humanidade.
Os xamãs tem ao menos um animal de poder, que age como espírito guardião e como intermediário para acessar outras realidades. Nas viagens xamânicas ele assume os talentos de seu animal e vê de maneira diferente. Os animais protegem os xamãs em trabalhos perigosos e são fontes de conhecimento. Para o xamã japonês, eles podem ser uma forma exaltada de uma transformação do Buda.
Para o xamanismo, quando invocamos algum animal, chamamos a sabedoria do conjunto da espécie. O simples fato de procurar deliberadamente o seu poder e de inclui-lo em nossa vida pode transformar completamente a nossa maneira de viver. Você não estará chamando espíritos de animais mortos ou vivos, não deve procurar o seu animal de poder fora de você, ele está no seu interior. Ao invocarmos a Águia, invocamos o poder, conhecimento e experiência de todos as águias, da alma coletiva, da essência espiritual do animal que vive na Terra, e no Mundo Espiritual.
Podemos usar os totens animais para aprender sobre nós mesmos e sobre mundos invisíveis. Há uma força arquetípica que se manifesta através dessas criaturas. Esses arquétipos têm suas próprias qualidades e características refletidas pelos comportamentos e hábitos dos animais.
Em uma das minhas empreitadas espirituais, participei de uma viagem xamânica que me surpreendeu positivamente.
Sem detalhar muito, foi nela que descobri o meu animal de poder.
A grande e majestosa Coruja Branca!


A coruja, em grego gláuks “brilhante, cintilante”, enxerga nas trevas. Em latim é Noctua, “ave da noite”. Por ser noturna está relacionada com a lua e incorpora o oposto solar.
É símbolo da reflexão, do conhecimento racional aliado ao intuitivo que permite dominar as trevas. Apesar de haver uma forte associação desta ave à escuridão e a sentimentos tenebrosos, o que é natural a um ser noturno, o fato de ela ter sido atribuída à deusa Athena também a tornou símbolo do conhecimento e da sabedoria para muitos povos.
Eis a ave da deusa da Sabedoria e da Justiça: atenta coruja, cujo pescoço gira 360º, possuidora de olhos luminosos que, como Zeus, enxergam “O todo”. Devido a todos esses atributos, a Coruja simboliza também a Filosofia, os Professores e a proposta de integrar todas as formas de conhecimento com o olhar para "O Todo."
No Xamanismo, a medicina da Coruja é a das habilidades ocultas, sabedoria antiga, vigília. Para descobrir verdades ocultas, mistérios. É a intuição profunda. Evoca-se a coruja para auxílio nos obstáculos que impedem a presença de seus talentos e habilidades. Para aceitação do lado escuro (sombras) da realidade. Também para a benevolência. Evocar quando quiser conhecer o lado sutil da consciência. Para discernimento da verdade, do que nós estamos buscando. Ligação com a lua. Para conhecer as sombras, poderes psíquicos, habilidades ocultas. Para melhor observar, prestar atenção.
Segundo os xamãs, descobrindo-se o totem animal e estudando-o, aprendemos a nos fundir com ele, e assim podemos chamar a sua energia sempre que necessário. Quando você honra o totem, estará honrando a essência espiritual, a energia que está por trás dele. Uma força real. Aprendendo a trabalhar essa energia você estará aprendendo a linguagem da natureza, e ai se abrem os mistérios e segredos.
Quem tiver mais interesse no assunto, consulte o site http://www.xamanismo.com.br.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Opte pelo que faz seu coração vibrar!


"Sempre que houver alternativas tenha cuidado.
Não opte pelo conveniente pelo confortável,
Pelo socialmente respeitável, pelo honroso.
Opte pelo que faz o seu coração vibrar!
Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as consequências."
(Osho)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Escolhas


Nós somos a soma das nossas escolhas.
Isso é fato.
Confesso que há alguns anos atrás eu não pensava nas consequências das minhas decisões.
Simplesmente mudava a rota do meu caminho de acordo com o que me deixava feliz.
Seguia meu coração e minha intuição. Só!
Hoje não.
Infelizmente!
Hoje penso primeiro nas renúncias que terei que fazer e depois - bem depois - nos ganhos que virão.
O primeiro pensamento é que cada escolha gera também uma perda.
E talvez resida aí o medo de optar por algo novo.
Medo de perder o que "achamos" que possuímos.
Medo de sair da tão chata "zona de conforto".
Porém a estrada é longa e o tempo é curto.
E eu sinto que tenho muitas milhas ainda a percorrer.
Não quero mais perder tempo!
Como diz Martha Medeiros:

"O jeito é curtir nossas escolhas e abandoná-las quando for preciso, 
Mexer e remexer na nossa trajetória, 
Alegrar-se e sofrer, 
Acreditar e descrer, 
Porque lá adiante tudo se justificará e tudo dará certo!''

Vale lembrar que cada escolha tem 50% de chance de dar certo e 50% de chance de dar errado. 
Vá em frente e faça a sua!

domingo, 5 de junho de 2011

Pedras no caminho...

Compartilho com vocês uma poesia de Fernando Pessoa, perfeita para este momento:


"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
Mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo,
E posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
Apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
E se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
Mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo!"


sábado, 4 de junho de 2011

Retrovisor

"Pelo retrovisor enxergamos tudo ao contrário
Letras, lados, lestes
O relógio de pulso pula de uma mão para outra
E na verdade nada muda
O menino que me pediu R$0,10
É um homem de idade no meu retrovisor
A menina debruçando favores toda suja
É mãe de filhos que não conhece
Vendeu-os por açúcar, prendas de quermece
A placa do carro da frente
Se inverte quando passo por ele
E nesse tráfego acelero o que posso
Acho que não ultrapasso
E quando o faço nem noto
Outras flores e carros surgem no meu retrovisor
Retrovisor é passado,
É de vez em quando do meu lado
Nunca é na frente

É o segundo mais tarde, próximo, seguinte
É o que passou e muitas vezes ninguém viu
Retrovisor nos mostra o que ficou
O que partiu,
O que agora só ficou no pensamento
Retrovisor é mesmice em dia de trânsito lento
Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas
Mostra as ruas que escolhi
Calçadas e avenidas
Deixa explícito que se for pra frente
Coisas ficam pra trás
A gente só nunca sabe que coisas são essas..."

(Fernando Anitelli)


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Ser o exemplo: eis a questão!


Há algum tempo atrás eu tinha um defeito grave (outro!): queria ser O exemplo.
Vejam só quanta prepotência!
É meus caros, vocês podem imaginar o quanto era chato ser Eu!
Começando pela alimentação. Era super regrada, não comia nenhum tipo de defunto, só saladas e frutas orgânicas, nada de refrigerante ou álcool e muito menos farinha branca!
Ok. Tudo muito lindo.
Mas o problema não era optar por esse tipo de alimentação. A questão era minha intransigência em relação à isso. A tal da inflexibilidade novamente entra em questão.
Nas escapadelas que eu dava - e eram raras - sentia muita culpa. Tinha vontade de me dar umas 80 chibatadas. Sempre preocupada com o que os outros iriam pensar.
Mas nada é tão ruim que não possa piorar: eu tentava converter todos ao meu modo de ver e viver. Do tipo: Sigam-me os bons!
Eu enxergava o mundo cor-de-rosa. Nada de pensamentos negativos.
Ficava extremamente irritada quando alguém me dizia que algo era impossível ou então quando faziam o papel de vítima em alguma situação.
Dava liçãozinha de moral. Vejam só!
Eu falar mal de alguém? Jamais!
Fofocar da vida alheia perto de mim?  Mais uma breve lição de moral.
É, eu era um pé no saco!
Ficava o tempo todo me vigiando para não sair da linha. Adeus espontaneidade. Tinha de ser perfeita! Era uma das minhas exigências para esta estadia na Terra.
Para os meus amigos Naturólogos: eu era completamente Rock Water, Vervain e Vine! Sim, pasmem!
Eu não me dava conta, em nenhum momento, da minha condição de Humana!
De estar aqui exatamente para errar e acertar e errar e acertar...
Mas tudo isso mudou quando fui jogada no caos da realidade, sem nenhuma delicadeza.
Sim, a vida nem sempre é gentil com aqueles que cochilam durante o redemoinho de transformações que ela proporciona. O negócio é dançar a dança dela! Entrar no ritmo. E não simplesmente se deixar levar.
E diga aí: é bom demais ser imperfeito! Isso sim é ser normal!
Não sou santa! Grito, choro, esbravejo, faço bico, tenho medo, sou chata, exagerada e tenho TPM!
Sou espontânea, alegre, falo besteiras, faço brincadeira de coisas sérias, sou irônica, sincera até demais, mas sou EU. Sinto-me livre!
Quero ser essa eterna aprendiz!
E me dêem licença que essa noite eu vou dar uma escapada e tomar um belo suco de vodka com uma deliciosa salada de batata frita!
E você? Bom, você faça o que tiver vontade!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Escute meu desabafo!

Eu já disse que odeio frio?
Pois então eu digo e repito: EU ODEIO FRIO!!!
Por qual razão eu nasci na região sul? Alguém pode me responder isso?
E os mais espiritualizados não venham falar em karma numa hora dessas que eu mando o dito praquele lugar!
Frio é bom pra quê?
Pra dormir e comer. Só!
Não dá vontade de sair da cama de manhã e muito menos de ir ao banheiro de madrugada.
Ir trabalhar? Um mal necessário!
Ir pra academia? Um sacrifício sobrehumano!
Passear? Festar? Naaaaaaada disso é bom de fazer nessa friaca do sul!!!
O desânimo toma conta de mim na entrada do inverno. E não só ele: todos os vírus da estação vêm me visitar! Eles fazem turismo por aqui nessa época.
Meu corpo vira um laboratório de testes para os vírus.
Fora minha pele. Pareço uma cobra descamando!
E os dedinhos das mãos e dos pés? Parece que vão se desintegrar do corpo a qualquer momento..
E quem diz que gosta de frio vai lá correr pelado na neve! Quero ver!
Se gostasse tanto assim do frio não ia colocar camadas e camadas de roupas, nem ligar ar condicionado ou aquecedor, muito menos tomar banho com a água "pelando".
É um relação um tanto quanto estranha, porque a pessoa gosta do frio pra poder se esquentar de alguma forma??? É isso mesmo?
Pois é, não há muita lógica nisso.
Mas tudo bem, não estou procurando uma lógica, até porque estou um pouco – só um pouco – enfurecida hoje.
É o frio que me deixa assim, fazer o que?!
Pra piorar é só começar a chover.
São Pedro, São Pedro, não faz isso comigo não!!!!
Só se tu quer receber uma alma mais cedo aí nos portões do céu  (ah, me contaram que as chaves ficam contigo!).
Mas acho que não é o caso, né Pedroka?