O pensamento xamânico diz que existe uma mente grupal, e um animal arquetípico ou mestre para cada espécie. Os espíritos animais estão seguros numa espécie de consciência coletiva e sabedoria de suas espécies. Em conseqüência, espíritos animais são excelentes professores, guias, auxiliares da humanidade.
Os xamãs tem ao menos um animal de poder, que age como espírito guardião e como intermediário para acessar outras realidades. Nas viagens xamânicas ele assume os talentos de seu animal e vê de maneira diferente. Os animais protegem os xamãs em trabalhos perigosos e são fontes de conhecimento. Para o xamã japonês, eles podem ser uma forma exaltada de uma transformação do Buda.
Para o xamanismo, quando invocamos algum animal, chamamos a sabedoria do conjunto da espécie. O simples fato de procurar deliberadamente o seu poder e de inclui-lo em nossa vida pode transformar completamente a nossa maneira de viver. Você não estará chamando espíritos de animais mortos ou vivos, não deve procurar o seu animal de poder fora de você, ele está no seu interior. Ao invocarmos a Águia, invocamos o poder, conhecimento e experiência de todos as águias, da alma coletiva, da essência espiritual do animal que vive na Terra, e no Mundo Espiritual.
Podemos usar os totens animais para aprender sobre nós mesmos e sobre mundos invisíveis. Há uma força arquetípica que se manifesta através dessas criaturas. Esses arquétipos têm suas próprias qualidades e características refletidas pelos comportamentos e hábitos dos animais.
Em uma das minhas empreitadas espirituais, participei de uma viagem xamânica que me surpreendeu positivamente.
Sem detalhar muito, foi nela que descobri o meu animal de poder.
A grande e majestosa Coruja Branca!
A coruja, em grego gláuks “brilhante, cintilante”, enxerga nas trevas. Em latim é Noctua, “ave da noite”. Por ser noturna está relacionada com a lua e incorpora o oposto solar.
É símbolo da reflexão, do conhecimento racional aliado ao intuitivo que permite dominar as trevas. Apesar de haver uma forte associação desta ave à escuridão e a sentimentos tenebrosos, o que é natural a um ser noturno, o fato de ela ter sido atribuída à deusa Athena também a tornou símbolo do conhecimento e da sabedoria para muitos povos.
Eis a ave da deusa da Sabedoria e da Justiça: atenta coruja, cujo pescoço gira 360º, possuidora de olhos luminosos que, como Zeus, enxergam “O todo”. Devido a todos esses atributos, a Coruja simboliza também a Filosofia, os Professores e a proposta de integrar todas as formas de conhecimento com o olhar para "O Todo."
No Xamanismo, a medicina da Coruja é a das habilidades ocultas, sabedoria antiga, vigília. Para descobrir verdades ocultas, mistérios. É a intuição profunda. Evoca-se a coruja para auxílio nos obstáculos que impedem a presença de seus talentos e habilidades. Para aceitação do lado escuro (sombras) da realidade. Também para a benevolência. Evocar quando quiser conhecer o lado sutil da consciência. Para discernimento da verdade, do que nós estamos buscando. Ligação com a lua. Para conhecer as sombras, poderes psíquicos, habilidades ocultas. Para melhor observar, prestar atenção.
Segundo os xamãs, descobrindo-se o totem animal e estudando-o, aprendemos a nos fundir com ele, e assim podemos chamar a sua energia sempre que necessário. Quando você honra o totem, estará honrando a essência espiritual, a energia que está por trás dele. Uma força real. Aprendendo a trabalhar essa energia você estará aprendendo a linguagem da natureza, e ai se abrem os mistérios e segredos.


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